Páginas

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Comentários sobre o resultado das eleições presidenciais

Se até 1930 fomos a "república do café com leite", eu diria que o Brasil de hoje está se tornando a república do café com côco...

Em 2004, quando FHC elegeu-se presidente, seu vice pefelista era do Nordeste. Em 2002, o PSDB falhou em escolher para vice do Serra uma capixaba do PMDB, enquanto que Lula aliou-se a um rico empresário mineiro sem a necessidade de ter alguém do NE em sua chapa.

Nesses últimos anos, o DEM não tinha mais a mesma força no NE e o vice de Serra foi um carioca. Já o vice de Dilma, um paulista, a candidatura governista esteve fortalecida pela grande influência que a máquina do governo federal impôs ao NE.

O resquício de mineiridade da nova presidente eleita não foi tão esquecida no seu ente federativo de origem já que, no segundo maior colégio eleitoral do país, ela teve 6,2 milhões de votos, o que demonstra o forte bairrismo por lá existente, ultrapassando o conservadorismo entranhado no interior de MG. Só que tal eleitorado foi incapaz de perceber que, com Serra na Presidência, o governo estadual tucano receberia mais recursos...

Em SP, onde Serra ganhou, a diferença neste segundo turno entre os candidatos não chegou a 2 milhões. Aliás, onde o tucano venceu com maior folga foi em SC, PR, MS, AC, RR e RO (neste mais pelo percentual do que pela diferença absoluta).

Mas por que Serra ganhou disparado nesses estados? Eu diria que, além da classe média ser proporcionalmente maior no Sul, há um anseio pelo desenvolvimento regional no Centro-Oeste que não segue a mesma lógica da parte leste do país, tratando-se de uma região onde o meio rural é bem presente na economia e responde pela maior expressão do PIB. Inclusive, em SP, tem-se também uma outra divisão regional pois o comportamento do eleitorado do interior paulista se diferencia da capital e da região litorânea.

Finalmente há que se considerar o alto índice de abstenção. Em SP, cerca de 5,8 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas enquanto que brancos e nulos, respectivamente, foram de 0,6 e 1 milhões. E, dentre os que se abstiveram, penso que podemos contabilizar um numero expressivo de eleitores da classe média conhecedores dos procedimentos de justificação do voto e que preferem viajar no feriadão de finados.

Teria sido Dilma beneficiada pela enorme abstenção, considerando que a maior parte dos que não compareceram às urnas teriam votado em José Serra?

Bem, acredito que ainda assim o resultado não se modificaria porque dentre os que se abstiveram estavam também os possíveis eleitores de Dilma.

De qualquer modo, não se pode esquecer que a vitória da candidata petista foi mesmo determinada pelo bom desempenho da economia brasileira. Tivemos neste ano um efeito semelhante do que aconteceu nas eleições dos anos de 1994 e 1998 em que FHC, um homem sem carisma, conseguiu aquelas duas vitórias sem precisar concorrer no segundo turno. Em 1993, a vitória de Lula era tida como algo bem provável pelos institutos de pesquisa até que o governo Itamar Franco lançou o plano real passando a controlar a inflação e a proporcionar o acesso do pobre a bens que até então só eram consumidos pela classe média.

Mas e hoje? Será que as coisas são diferentes?

Com o bom andamento da economia brasileira, dificilmente o eleitor terá motivos para mudar. E, apesar do aumento dos gastos públicos, estes ainda não estão atingindo o bem estar do cidadão pois o governo constantemente sangra a Petrobrás para aliviar seus déficits. Com o pré-sal, teremos ainda mais recursos.

Tudo isso seria muito bom se tivéssemos um partido responsável na condução do Brasil. Ter uma mulher na Presidência, diminuir a miséria e o país crescer economicamente seriam coisas maravilhosas se a política externa fosse realmente compromissada com a democracia, o que, infelizmente, não ocorre. Mahmoud Ahmadinejad e seu colega da Venezuela, o caudilho Hugo Chávez, já mandaram lembranças pra Dilma pois na certa estão mesmo apostando numa relação política mais ampla com o Brasil.

É um quadro desanimador, mas como cristão não quero perder a fé e desanimar. Sem arrependimentos, votei na Marina e depois no Serra no segundo turno. Agora só resta orar pela vida da Dilma e pelo meu país, buscando dentro da sociedade defender bons valores.

Que surjam profetas da democracia, da paz e do meio ambiente!

Nenhum comentário:

Postar um comentário